Câmara Municipal da Covilhã renega novo Acordo Ortográfico | Não ao Acordo Ortográfico Parte 4

«Nestes termos, por despacho de hoje, 15 de Junho, o Presidente da Câmara da Covilhã determinou que em toda a correspondência oficial da Autarquia e das entidades agregadas, não seja adoptado o novo Acordo Ortográfico, nos termos do período transitório estabelecido, reponderando-se esta determinação no final daquele período, isto é, em 2015.»

Esta decisão de Carlos Pinto, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, faz prova da existência de políticos sérios e competentes. Contrapondo as declarações de Aníbal Cavaco Silva, presidente deste sítio mal frequentado, que deixam perplexo o mais leigo dos portugueses.

 “Quando fui ao Brasil em 2008, face à pressão que então se fazia sentir no Brasil, o Governo português disse-me que podia e devia anunciar a ratificação do acordo, o que fiz”.

Quero endereçar cumprimentos ao presidente da Câmara Municipal da Covilhã pela sensatez e competência na apreciação deste tema infame. O Acordo Ortográfico de 1990 foi negociado entre os vários países lusófonos durante anos e o imbróglio foi tal que não seria expectável ver o governo resolver a situação condignamente. A fase de transição começou, alegadamente, em 2009 e terminará em 2015. Até lá, a correspondência da autarquia covilhanense não contemplará as novas regras da ortografia. Este acordo que pretendia fomentar um melhor entendimento entre países lusófonos – o que me parece ridículo porque eu não pego o ônibus – é o mesmo que, de facto, põe em causa o entendimento elementar do nosso português, e não deve ser reconhecido de ânimo leve.

Os doutores que prepararam este Acordo vaticinam que o mesmo facilitará a aproximação dos modelos ortográficos lusófonos e o entendimento entre os povos. E, em termos práticos, a confusão que se instala quando compreendemos que a aproximação não é uniforme e peca pela bilateralidade? É que nós escrevíamos ADOPÇÃO e passaremos a escrever ADOÇÃO. Mas no Brasil vão escrever ADOPÇÃO. Nós escrevíamos RECEPÇÃO e passaremos a escrever RECEÇÃO. Mas no Brasil continuarão a escrever RECEPÇÃO. E até escrevíamos PERCEPTÍVEL mas passaremos a escrever PERCETÍVEL. Lá no Brasil vai-se escrevendo PERCEPTÍVEL. Alguém vislumbra facilidades de entendimento?

Pensando bem, com todo o respeito que lhes guardo, os doutores que erigiram este Acordo perderam uma boa oportunidade para estarem quietos.

Esta é uma análise que contempla os três textos que já escrevi na abordagem ao assunto e foi elaborada para congratular a excelente decisão do presidente da Câmara Municipal da Covilhã. Hoje, como nunca, sou um covilhanense carregado de orgulho na minha cidade.

Leia também:

Acordo Ortográfico? Não havia necessidade!

Aumenta contestação ao Acordo Ortográfico | Não havia necessidade! Parte 2

Prossigo na contestação ao Acordo Ortográfico | Não havia necessidade! Parte 3

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