Prossigo na contestação ao Acordo Ortográfico | Não havia necessidade! Parte 3

Como não há duas, sem três…

Acordo Ortográfico? Não havia necessidade!

Aumenta a contestação ao Acordo Ortográfico| Não havia necessidade! Parte 2

Eu não desarmo e insisto na análise necessária deste tema, que tantos continuam a desvalorizar. O Acordo Ortográfico de 1990, cuja fase de transição começou, alegadamente, em 2009 e terminará em 2015, peca por várias razões. As fases de transição foram mal preparadas nos países envolvidos, e não são devidamente acatadas. Não há unanimidade em relação ao acordo em nenhum dos países. A suposta aproximação de modelos ortográficos que pretende facilitar o entendimento mútuo anula-se no próprio documento que pretende fazê-la vigorar.

Com este Acordo, as consoantes intercalas C e P só se escrevem quando são pronunciadas. Exemplos (Portugal):

Actual –> Atual | Director –> Diretor

Ficção –> Ficção | Opção –> Opção

Isto vai facilitar a aproximação de modelos ortográficos, certo? E, em termos práticos, a confusão que se instala quando percebemos que a aproximação não é uniforme e peca pela bilateralidade? É que nós escrevíamos ADOPÇÃO e passaremos a escrever ADOÇÃO. Mas no Brasil vão escrever ADOPÇÃO. Nós escrevíamos RECEPÇÃO e passaremos a escrever RECEÇÃO. Mas no Brasil continuarão a escrever RECEPÇÃO. E até escrevíamos PERCEPTÍVEL e passaremos a escrever PERCETÍVEL. Lá no Brasil vai-se escrevendo PERCEPTÍVEL. Onde está a facilidade de entendimento?

Pensando bem, com todo o respeito que lhes guardo, os doutores que construíram este Acordo perderam uma boa oportunidade para estarem quietos.

Em Portugal andamos de autocarro, no Brasil andam de ónibus. Em Portugal utilizamos o telemóvel, no Brasil utilizam o celular. Em Portugal comemos um gelado, no Brasil comem um sorvete. Não é esse um dos motivos que nos leva a conhecer outros povos? A conhecer outras culturas nesta era de globalização? Eu sou português, não sou brasileiro, cabo-verdiano ou timorense. Escrevo como me ensinaram no meu país, como aprendi na escola, e recuso-me a aprender um novo modelo ortográfico que visa aproximar povos irmãos de forma ridícula. Auxiliem os autores portugueses a exportar o seu trabalho e pressionem os países envolvidos a proceder de igual modo. Essa é a melhor forma de aproximar povos irmãos.

Ivo Rocha da Silva

Deixo-vos com uma exposição fantástica do tema, que recebi através de email. Não sei quem é o autor mas quero congratulá-lo pelo texto fenomenal. Cáustico, mas fenomenal.

Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam .

Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros .
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas .
É um fato que não se pronunciam .
Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ?
O que estão lá a fazer ?
Aliás, o qe estão lá a fazer ?

Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade .
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra .

Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s” ?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç” .
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som .

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s” .

Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z” .
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z” .

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k” .Ponha um q.
Não pensem qe me esqesi do som “ch” .
O som “ch” será reprezentado pela letra “x”.
Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não ?
O “x” xama-se “xis”.
Poix é iso mexmo qe fiqa .

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x” .

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex .
Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex .

O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural .
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente .

Vejamox o qaso do som “j” .
Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”- ixtu é lójiqu?
Para qê qomplicar ? ! ?

Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j” .
Serto ?

Maix uma letra mud
a qe eliminamox .

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem !

Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex ?

Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade ?

Outro problema é o dox asentox.
Ox asentox só qompliqam !
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox .

A qextão a qoloqar é: á alternativa ?
Se não ouver alternativa, pasiênsia.
É o qazo da letra “a” .
Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado .
Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax .
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax lê-se “u” e outrax, lê-se “ô” .
Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso !
qe é qe temux o “u” ?

Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil !
Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.
Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza :
quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e” .
U mexmu para u som “ê” .

Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i” .
I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a” .
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex .

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” – pur “ainx” i “õix” pur “oinx” .
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu .
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum ?

3 pensamentos sobre “Prossigo na contestação ao Acordo Ortográfico | Não havia necessidade! Parte 3

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