Acordo Ortográfico? Não havia necessidade!

Imaginem o tamanho do espanto que me assomou quando, ontem de manhã, escrevi a palavra director no Microsoft Word e surgiu esse famoso ícone de ajuda inestimável a tantos e tão bons, a correcção automática, vulgo traço vermelho, indicando-me que o correcto seria diretor. Estranhei. Não imaginam que eu creditasse ao Microsoft Word uma tamanha autonomia que o permitisse adaptar-se às regras que os senhores da política impuseram aos que escrevem em bom português. Recordei então a noite anterior e as actualizações que o computador exigira. Pesquisei na web e descobri que inventaram uma malfadada adaptação à correcção automática do Word, de acordo com esse tal acordo. Perdoai a redundância e continuai a ler. Felizmente constava dessa mesma pesquisa a pequena ferramenta informática que permite escolher a forma de correcção automática. Procedi ao download através do site da Microsoft e coloquei essa maravilha em prática.

 

Quanto ao desventurado acordo ortográfico?

Esse tal acordo foi negociado entre os vários países lusófonos durantes anos e o imbróglio foi tal que não seria expectável ver o governo resolver a situação condignamente. A fase de transição começou, alegadamente, em 2009 e terminará em 2015. Vozes de ilustres se levantaram contra, entre os quais se encontram Manuel Alegre e Vasco Graça Moura, este último que retirou esse tal acordo dos computadores do CCB. Outros há que dão parecer favorável. A grande parte está-se pouco importando com a causa. Na parte que me diz respeito, não entendo os benefícios deste acordo inútil e ignóbil, que parece ter sido preparado em cima do joelho.

 Querem beneficiar a exportação de mais autores portugueses para o Brasil?

PREOCUPEM-SE EM BAIXAR O IMPOSTO QUE O LIVRO PORTUGUÊS PAGA PARA ENTRAR NO BRASIL E VICE-VERSA.

 Querem alterar as regras para facilitar o mútuo entendimento do português?

Mas isso é ridículo! E as palavras? Também vão mudar? Irá o português começar a pegar o ônibus e falar no celular?

 É um acordo inútil, está visto. Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura, diz que “cada português tem a possibilidade de escolher a ortográfica que quiser” e que não há “sanções graves” para quem não cumprir esse tal acordo. Até 2015 os portugueses vão viver em fase de transição. Quanto a mim, vou escrever como sempre escrevi. Porque esse tal acordo é inútil aos meus olhos. Não havia necessidade de se perder tempo com coisa tão abominável. 

Para terminar vou deixar-vos com um português mais abrangente para que todos me percebam:

Como sou um cara legal vou dar o fora de trem ou ônibus e aproveitar para falar no celular enquanto um pé rapado me pede uma grana. Tenho carteira de dirigir mas como vou lá num boteco beber uma cachaça é melhor não arriscar. Quando dirijo os pedestres colocam-se na frente do carro. Pensando bem, talvez compre um sorvete na lanchonete que fica lá perto de casa. Aproveito e compro o jornal para ler a história do moleque que arrumou a maior bagunça lá na delegacia. Quem sabe se toda essa ação já foi escrita de acordo com a nova ortografia.   

Ivo Rocha da Silva

3 pensamentos sobre “Acordo Ortográfico? Não havia necessidade!

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